Ainda escuro, levantamo-nos com fome
Um pão seco, água, carências no lar
Crianças, jovens e alguns pais a caminhar
Estrada de terra sem iluminação a enfrentar
Passos acelerados, frio, mato alto, medo. Quanta aflição!
Crianças menores, sonolentas, tentam acompanhar
Em meus pensamentos, questionamentos e apreensão
Não podemos parar!
Será que nosso ônibus capenga estará lá?
Quem estaria usando os novos, seguros e limpos?
Prometeram que, em casa, iriam nos buscar
Os vemos na cidade, mas nunca aqui para nos levar
Após uma longa e cansativa caminhada de madrugada
Avistamos nosso ônibus sucateado em meio à poeira
Um motorista sonolento, desvalorizado, nos recebe por obrigação
Soltos nos bancos, a maioria se rende ao sono
Desamparados pela Nação
Quantos sacrifícios! Quanta omissão!
Seria para desistirmos, desacreditarmos?
Manter-nos excluídos, submissos, controláveis?
Longe dos caminhos da educação?
Chegamos! Empoeirados, envergonhados
Aceleramos para lavar os pés, um pouco de dignidade
Trocamos o chinelo sujo pelo velho calçado
Ansiosos por um café mais reforçado
Poucas vezes ofertado
Sala de aula lotada, mesas e cadeiras limitadas
Não ventilada, não cuidada
Dividimos a cadeira ou nos sentamos no chão
Corpos e mentes cansados sem concentração
Tentar aprender, às vezes em vão
Professores esforçados, desvalorizados
Preocupados com o nosso aprender
Conscientizam-nos do nosso potencial
Elevam nossa autoestima, nos fortalecer
Igualdade de oportunidades, educação de qualidade
Todos somos igualmente capazes
Importantes, valiosos e necessários
Talentos menosprezados
De volta para casa
Luzes de proteção e fé nos acompanham
Orações, o apoio dos nossos pais
A consciência da importância do aprender
Esperança, acreditar em si e vencer
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